Mulher com as costas nuas

DOR NA ANCA

9 de Janeiro de 2020


A dor na anca que leva o doente a procurar ajuda pode ter várias origens. Muitas vezes, ao chegar à consulta, o doente já realizou vários tratamentos, sem solução, por não se ter diagnosticado a origem da dor.

Ao observar o doente, a idade já nos leva a pensar em diferentes origens de dor. Dependendo da idade, a origem varia. Depois, a forma que o doente descreve a dor é essencial: esta pode ser na nádega, com ou sem irradiação; na região lateral, que agrava à pressão e muitas vezes à noite; na região da virilha, que agrava com os movimentos e irradia ao joelho. Em algumas situações, pode ser um conjunto destas queixas.
Uma dor que tem origem na articulação e/ou na musculatura da anca, não irradia além do joelho. Se o doente se queixa que a dor chega ao tornozelo ou pé, o mais provável é que tenha origem na coluna e idealmente deve ser observado em consulta de Ortopedia, subespecialidade da Coluna. Da mesma forma, a dor na virilha que não agrava com o movimento, que muitas vezes é associado a uma “força”, não é da anca, mas da parede abdominal, devendo ser orientado pela Cirurgia Geral. Daí, que o doente logo na primeira consulta, seja orientado para outros especialistas de forma a receber o tratamento mais diferenciado possível.

O exame físico durante a consulta permite-nos especificar se a dor é de origem da anca exclusivamente ou se, com alguma frequência, tem origem em vários locais além da anca. Os vários testes realizados durante a consulta vão permitindo que se exclua vários diagnósticos até chegar ao mais provável.

Na continuação da consulta, verificando-se que a origem da dor é da anca, interessa solicitar exames de forma a verificar se a esta é de origem muscular, tendinosa ou articular. Desde o exame mais básico – radiografia – ao mais diferenciado – Ressonância Magnética – poderá haver necessidade de realizar vários até chegarmos ao diagnóstico. Com a realização de exames verificamos se se trata de uma trocanterite (quadro doloroso localizado na face externa da anca, com irradiação a virilha, coxa ou joelho do mesmo lado), de uma bursite (inflamação de uma bursa ou bolsa, uma espécie de almofada que se situa entre o osso e a pele), de uma sacroileíte (lesão inflamatória das articulações sacroilíacas), de conflito femoroacetabular (dor na virilha ou na região circundante, com determinados movimentos), de conflito isquiofemoral (dor na nádega ou na região circundante, com determinados movimentos), de uma coxartrose (desgaste da cartilagem articular do acetábulo e da cabeça femoral) ou de vários outros diagnósticos. A partir deste momento, o tratamento passa a ser mais específico e orientado para a causa.

O tratamento inicia-se sempre da forma mais simples, com medicação oral. Em alguns casos, é associado a infiltração de medicação na região da dor e/ou fisioterapia (nas suas várias vertentes, normalmente auxiliado pela Fisiatria). Nas situações em que a dor persiste, tem de ser decidido, em conjunto com o doente, a eventual necessidade de intervenção cirúrgica (caso haja indicação). É discutido todas as hipóteses de tratamento cirúrgico, os resultados pós-operatórios e as eventuais complicações. Desta forma o doente decide o tratamento com base em toda a informação disponível, sempre com o apoio do Ortopedista.

Artigo redigido  pelo Dr João Correia